Como soaria a música num outro planeta? Talvez não soe de todo. Ou talvez reverbere em frequências para as quais ainda não temos nome. Em Sacrosun, Ece Canli mergulha nessa interrogação com a gravidade de quem reconhece o som como matéria especulativa e sensorial. A voz, como um corpo invisível, torna-se, em si mesma, nave e sonda, atravessando terrenos telúricos e campos interestelares, conduzindo-nos por uma paisagem que tanto evoca a meditação como o desassossego. É uma composição densa e escura, mas iluminada por uma intuição primordial: a de que escutar é já um ato de tradução entre mundos.